O Garoto que Amava o Caos

conexão 2073

Foi tudo muito rápido. Rápido como se conectar à internet.
 
O leste europeu começou um conflito. Vidas foram perdidas, tratados e alianças acionados e o mundo entrou em guerra.
 
O custo foi altíssimo.
 
O governo americano, endividado com todos os bancos possíveis e imagináveis, começou a fazer acordos escusos com certas empresas que, rapidamente, assumiram o verdadeiro domínio da maior economia e poder bélico do planeta.
 
Começou a era do monopólio.
 
Inglaterra, Alemanha, Japão, China… todos seguiram o mesmo caminho.
Sem possibilidades de crescer, vocês vieram para meu país. O Brasil – assim como tantos outros países “subdesenvolvidos” – abriu as pernas para empreendimentos daqueles que já não prosperariam em seu próprio lar.
 
E vocês nos trouxeram tecnologia.
 
Desgraçaram a vida de milhões de inocentes, transformando-os em armas de guerra, deram poderes para pessoas comuns sem elas saberem.
 
Países foram destruídos e novos se ergueram. O mundo não era mais o mesmo.
Vocês nos trouxeram tecnologia.
 
E acharam que podiam fazer o que quisessem com ela aqui.
 
Não aqui. Não em meu país.
 
Aqui as coisas vão mudar.
 
Nós não vamos mais tolerar que vocês façam o que bem entenderem, só porque temos um governo ambicioso por encher seu próprio bolso.
 
Essa última tecnologia, inventada por Leonid Cooper, foi o último golpe dado por essas empresas para mandar e desmandar sobre a vida de todos nós. Ela permite não só que o governo saiba onde, quando e com quem você esteve, mas imagens de alta definição são enviadas o tempo todo para a central deles.

Toda hora, todo lugar.
 
Você acha que não? Você acha que esses dados só são enviados quando você dá o “click”?
 
Você acha que só porque você não faz nada de errado, seus dados podem ser analisados?
 
Você realmente se sente confortável com o fato de que um estranho possa estar vendo você comendo, no banheiro, com seus filhos ou fazendo amor?
 
É sério?
 
Eles nos chamam de terroristas… dizem que nós trazemos caos e dor…
 
É verdade.
 
Eu amo o caos.
 
Eu amo como as coisas acontecem sem ter o controle de ninguém. Como podemos fazer o que quisermos e quando quisermos sem que ninguém esteja olhando, julgando.
 
Queremos a liberdade de ir e vir.
 
De fazer ou não fazer.
 
De ver ou não ver.
 
Não estamos em 1984. Não queremos um Grande Irmão (pode pesquisar, jovem. Sei que você não leu esse livro. Você é livre para lê-lo agora).
 
Essa é a beleza da vida, meus amigos. É para isso que nós lutamos.
 
Vamos quebrar as amarras da tecnologia invasiva que nos prende a um padrão de vida aceitável.
 
Vamos dar a vocês a possibilidade de viver.
 
Eles nos chamam de terroristas.
 
Eles nos deram tecnologia.
 
Vamos usar a tecnologia deles para o terror deles.
 
Não toleraremos mais a morte de inocentes em prol de uma ditadura disfarçada.
 
Não toleraremos mais a morte da nossa privacidade.
 
Não toleraremos. É nossa hora de agir.
 
Junte-se a nós. Vamos todos juntos amanhã ao enterro de Wagner Bronsly. Homem que se arrependeu de todo o mal que nos causou e tomou sua vida.

Vamos mandar um recado para as autoridades, dizendo que nós, brasileiros natos, não aceitaremos nosso governo controlado por esses malditos ianques.
 
Vamos mostrar nosso apoio à Detetive Elizabeth Ribeiro, que vêm tentando descobrir quem é o culpado por esse crime (embora todos nós sabemos quem foi).
 
Una-se à DeadTech.
 
Siga nosso perfil no Hollogram para mais detalhes de nossas ações.
“Quebre a fibra que vos prende, ligue a fibra que vos liberta”.
 
 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.