Crítica | Bright (2017)

O pistoleiro e o Crocodilo

Volta e meia aparecem alguns artistas com trabalhos espetaculares. Essas pessoas mostram um cartão de visitas espetacular e nos fazem crer que serão grandes expoentes dali em diante, mas que acabam refém dessas expectativas e nunca mais emplacam nada. As Wachowsky com Matrix é um exemplo claro disso. Stephen Sommers e seu A Múmia com Brandan Fraser. Entretanto, talvez o caso mais sintomático seja mesmo o do roteirista e diretor David Ayer.

Tendo saído de um dos filmes mais elogiados dos últimos anos, o genial Dia de Treinamento, Ayer se viu nessa posição bizarra de ser o novo salvador dos filmes policiais, graças à sua linguagem “das ruas” e a crueza com que escreveu seus personagens. O tempo passou e de lá para cá esse camarada só fez de mais relevante o longa Corações de Aço. É dele também Esquadrão Suicida. Uma chance de redenção lhe foi dada agora com Bright, filme lançado diretamente na Netflix.

De cara, o filme já estabelece qual o seu objetivo. Ayer usa uma câmera típica de  “documentário” para dar realismo para uma série de pichações que vão mostrando o background de fantasia do filme. Esta dicotomia estranha só vai aumentando durante o filme, que tenta ser um policial sério e realista com diversas criaturas fantásticas tais quais centauros, fadas, elfos e orcs (e homens da caverna?!).

Crítica | Bright (2017)

Buscando se equilibrar numa corda bamba, para nem cair no brega e nem subvalorizar seu lado lúdico, o filme se apoia nas figuras principais dos policiais Ward (Will Smith, um policial negro que horas é um racista escroto, horas é um cara legal) e Jakoby (Joel Edgerton, primeiro policial orc da história, fato relembrado diversas vezes no roteiro, sem nunca receber o peso necessário). Acontece que, Smith, parece saído diretamente do set de Esquadrão Suicida e vindo direto para cá, enquanto o orc relembra muito o Crocodilo do mesmo longa. Fica a todo momento uma espécie de “veja só Warner o que eu poderia ter feito”, o que é triste.

Com uma edição preguiçosa e cenas de ação de gosto duvidoso, sobra para Bright o mérito de ter tentado ser algo inovador para ambos os gêneros. Faltou refinamento na direção para fazer com que o buddy cop e a aventura de capa e espada pudessem coexistir, assim como o filme prega. É mais um filme fraco na conta do roteirista de um filme só…

bio NELSON Nascimento

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