Crítica | Coisa Mais Linda – A hora é das mulheres

Com as lindas paisagens do Rio de Janeiro, o seriado brasileiro Coisa Mais Linda está conquistando um merecido espaço no streaming da Netflix. Escrito por Leonardo Moreira, Luna Grimberg e Heather Roth, o drama é ambientado na década de 50, tendo como ponto central o feminismo utilizando como plano de fundo a música, mais especificamente a ascensão da bossa nova. 

Dirigida por Caíto Ortiz, Hugo Prata e Julia Rezende, a série estreou no dia 22 de março deste ano e traz histórias de quatro mulheres diferentes que lutam para viver da forma que escolheram. 

A primeira personagem apresentada ao público é a paulista Maria Luíza (Maria Casadevall), apelidada de Malu. Filha de pais ricos, sendo mãe e esposa, Malu cria planos com seu marido, Pedro, de deixar São Paulo e abrir um restaurante no Rio, porém ocorre um pequeno contratempo. Seu esposo a abandona e leva todo o seu dinheiro, deixando-a sozinha em um quarto alugado e o local, caindo aos pedaços, que viria ser o seu restaurante. Desesperada, ela passa por um processo de descobrimento, onde Chico (Leandro Lima), um excêntrico cantor de bossa nova, cruza seu cominho. 

Guiada por uma antiga e latente paixão pela música, a partir dessa reviravolta, nasce em Malu o desejo de abrir um clube de música ao vivo, o que traz para a história, sua parceira Adélia Araújo (Pathy Dejesus).  

Mãe solteira, batalhadora, negra e moradora do morro, a personagem é obrigada a se limitar a poucos espaços sociais, o que é causado pelo forte racismo da época. Em seu cenário de vida, conhecemos a criação do morro, com toda a sua cultura e simplicidade, onde o personagem Chico busca inspiração para suas canções, junto ao samba.   

Durante a busca por uma nova vida, Malu reencontra uma velha amiga de infância, a encantadora Lígia Soares (Fernanda Vasconcellos), casada com o político Augusto Soares (Gustavo Vaz). Uma mulher com a voz belíssima que deixou o sonho de ser cantora para trás e se dedicar ao casamento e as aparências que o marido exigia como um bom político. No entanto, com o aparecimento da protagonista e o apoio que teve de dar a ela, Lígia relembra por diversas vezes como nunca esqueceu o amor por cantar, fazendo com que o desdobrar de sua história surpreenda conforme ela se impõe.  

Para fechar o grupo dessas incríveis mulheres, entra em cena a cunhada de Lígia, a excêntrica Thereza Soares (Mel Lisboa), a única jornalista mulher em uma revista voltada para o público feminino.  Casada com Nelson Soares (Ícaro Silva), eles possuem uma vida e um relacionamento um pouco moderno demais para a época.  

Elenco principal de Coisa Mais Linda

Com sete episódios, a série tem um excelente ritmo e não perde a força, pelo contrário, prende a sua atenção, trazendo à tona discussões importantes que podem ser facilmente colocadas nos dias de hoje. Como por exemplo, a construção de um relacionamento abusivo, o lugar supostamente programado que a mulher deve ocupar na sociedade, as dificuldades em tomar decisões que deveriam ser individuais e o debate sobre a valorização da aparência e não da inteligência.   

Voltada para o feminismo, a série tem sim o objetivo e a capacidade de instigar e fazer refletir pela luta e pelo espaço que as mulheres buscam. Os homens estão mais do que convidados a serem espectadores, desde que estejam abertos a pontos de vista diferentes e a discussões inteligentes, sem ocupar o lugar de fala do público alvo, as mulheres.  

isabelrosado
Procurando me tornar uma boa jornalista para tentar mudar um pedacinho do mundo com algumas histórias.

Avaliação

Com as lindas paisagens do Rio de Janeiro, o seriado brasileiro Coisa Mais Linda está conquistando um merecido espaço no streaming da Netflix. Voltada para o feminismo, a série tem sim o objetivo e a capacidade de instigar e fazer refletir pela luta e pelo espaço que as mulheres buscam.
Café Forte

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