Tutorial da Vida | Festas de Casamento

Existem muitos tipos de festas de casamento: animadas, chatas, rápidas, demoradas, chiques, mais simples e etc. E isso geralmente se deve ao nível de envolvimento que você tem com os noivos e também com o dinheiro envolvido.

Me lembro de quando era criança, no meu bairro tinha um salão de festas da prefeitura onde geralmente aos sábados aconteciam muitos casamentos. Era muito bom porque a maneira mais fácil de se penetrar em uma festa sem ser convidado é quando você ainda é uma criança, ninguém pergunta a uma criança sobre convites, e eu e alguns amigos ficávamos tomando refrigerante e comendo coxinha a tarde inteira.

Hoje as festas estão mudadas, a indústria casamenteira esta com força total e lá se vai muito dinheiro em troca de um sonho criado pela mídia.

Há pouco tempo fui a um casamento muito chique, como nunca tinha visto antes, na chegada já vi muita diferença, muitas cerimonialistas pegando os nomes dos convidados e já direcionando em qual mesa cada um ficaria, a minha tinha um nome pomposo de uma rua “Marquês de não sei onde” e também, entregando alguns tíquetes que seriam trocados por um par de Havaianas que hoje é chique, mas já foi menos.

Ao entrar decidimos esperar meus pais pois eles conheciam a maioria das pessoas e assim, eu não passaria direto por ninguém sem cumprimentar e eu pareceria mais educado, mas meu plano falhou miseravelmente quando percebi que meus pais já estavam sentados com alguns parentes e não caberia mais naquela fileira eu, minha esposa e meu filho. Então, partimos em busca de um lugar para vermos a cerimônia, encontramos na última fila a última cadeira, dava para ver bem os noivos, mas infelizmente esquecemos de trazer um par de binóculos.

Fomos para a festa, já sabendo qual mesa seria a nossa, estava ótima com muitos parentes, entretanto casamento sem pelo menos um casal desconhecido na mesa, não é a mesma coisa. Tinha um casal de uma certa idade, a senhora parecia já ter perdido os movimento das pálpebras dos olhos, pois não piscava e ficava me olhando fixamente por horas, parecia empalhada naquela posição.

Começaram a passar várias entradas, não recusei nenhuma, comi coisas que nem imagino de onde venham e o que eram, mas estava muito bom, nesse momento já tinha feito amizade com o Vartão, o garçom da minha mesa, que num determinado momento me cutucou e disse, “Aproveita que não tem fila”, liberado o buffet. Acho digno o garçom ter essa preocupação com o gordinho, então me levantei, peguei o prato da mesa, era enorme, eu parecia um motorista de ônibus com aquele prato gigante nas mãos, quando chego próximo a mesa do buffet , vem o Vartão rindo, “Cara, isso é um sousplat, lá no buffet tem prato”.

Chegou a hora dos docinhos, eu parti pra mesa achando que em casamento de rico, as pessoas pegavam os docinhos moderadamente, mas vi que na hora do docinho vale tudo, rico ou pobre, nessa hora não existem classes sociais, tinha gente com sacolinhas colocando os docinhos como se houvesse o amanhã, então perdi a vergonha, enchi os bolsos , deve ter doce até hoje em casa.

Certas coisas nunca mudam, no começo de casamento todos são recatados, sentados em suas mesas com nomes famosos, comendo e bebendo moderadamente, até que quando você percebe, já tem gente com a gravata amarrada na testa e dançando em cima da mesa.

bio PUERTO

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