Um breve relato sobre a melhor experiência co-op single player da história

Faz um certo tempo que os jogadores assinantes do serviço PSN (Playstation Network) foram agraciados com Until Dawn. Exclusivo para a plataforma, trata-se de um jogo de terror fortemente influenciado pelos Slasher movies oitentistas e pelos filmes de terror de cabana. De forma despretensiosa, a obra dá indícios de que de fato não se leva tão a sério e de que foi realizada de forma despretensiosa. Talvez isso justifique tamanho sucesso que ele alcançou.

Sua mecânica principal é baseada em escolhas. Porém, o game permite que o jogador tome o controle de nove personagens diferentes durante a narrativa. Sem escolhas, os nove são utilizados e tem sua importância na história. Ainda assim, trata-se de uma campanha single player. Mas eis que surge o famoso jeitinho brasileiro.

Aproveitando a visita de um grande e antigo amigo, com quem eu atravessei todas as gerações de consoles Sony, e gastei dezenas de horas matando mobs e bosses em World of Warcraft, eu resolvi jogar Until Dawn. De fato, a grande maioria dos jogos que jogamos tinham uma característica em comum: permitiam o famoso jogo com dois controles. Sejam em acirrados clássicos em PES, combates automotivos em Twisted Metal, sanguinolentas batalhas em Mortal Kombat, matar déspotas bronzeados em Far Cry 3 e por ai vai.

until dawn ps4 artigo
“Até o amanheceeeeeeeeer!”

As regras eram claras. Fomos intercalando o controle entre os personagens que iam aparecendo, de modo que uma vez que eles tivessem sido controlados por um de nós, esse personagem era responsabilidade única e exclusivamente dele. Desta forma, começamos e terminamos o game no mesmo dia, começando as 21 horas de um dia e terminando por volta das 05 horas do outro. Tal experiência me fez pensar em duas coisas: Onde foi que começamos a parar de ter dois controles e por que isso ocorreu?

Puxe da memória. A geração 16 bits era campeã de jogos beat in up, por exemplo. Estes games permitiam e eram bem mais divertidos para serem jogados com um amigo do lado. Tal procedimento também era muito presente durante a geração 32 bits, tendo chegado ao cúmulo de o Nintendo 64 vir de fábrica com a possibilidade de terem conectados quatro controles simultaneamente.

Talvez as coisas tenham mudado na geração seguinte. Dreamcast, Playstation 2 e X-BOX chegaram com a duas novidades: a primeira era a possibilidade de conexão com a internet para jogatinas online. Mas talvez, a mudança mais drástica, e a que eu considero a maior culpada por esse fenômeno, foram o crescimento das chamadas “narrativas cinematográficas”. Jogos deixaram de ser única e exclusivamente jogos e passaram a ser experiências de entretenimento, com roteiros complexos, atenção com a atmosfera e luta pela imersão.

É mais fácil deixar um jogador imerso do que dois.

co-op playstation video game
Os bons tempos…

E assim, numa luta desenfreada para criar a franquia mais cinematográfica possível, vários criadores focaram em experiências single player e deixaram de lado meu amado modo de tela dividida. A ultima pá de terra tem nome e sobrenome: GTA 3. O surgimento dos jogos sandbox, ou de mundo aberto, com toda a sua complexidade de processamento, praticamente matou a possibilidade de duas pessoas coexistirem naquele mundo.

Claro. Eu continuo podendo jogar com meus amigos. Mas eles estando em suas casas e eu na minha não tem a mesma energia, a mesma experiência, de que quando éramos jovens e íamos correndo para a casa do amiguinho tentar passar da fase 4 de Sunset Riders ou derrotar as meninas acrobatas de mini-saia em Streets of Rage. Simplesmente, essa experiência vem se tornando cada vez mais coisa do passado.

Mais uma vez, fica a divagação se a aproximação trazida pela internet, que não está no fim, na verdade nos separando cada vez mais.

bio NELSON Nascimento

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