Em meio a toda essa evolução digital em que nos encontramos, é claro que algumas coisas começariam a cair no esquecimento, mas será mesmo esse o destino das Bancas de Jornal? Peguem um café e aproveitem a leitura dessa primeira reportagem do site!

“Hoje, as bancas se tornaram, a maioria delas, lojas de conveniência, estão agregando outros produtos para que consigam de alguma forma se manterem ativas”. O tom demonstra um pouco de tristeza na voz de alguém que vive da literatura e transformou esse amor em um negócio, assim como muitos outros proprietários das saudosas bancas de jornal, que hoje, apenas aguardam o momento para fecharem as portas. Com o avanço tecnológico disponibilizando todo tipo de conteúdo em tempo real na palma da mão, é possível saber o que esta acontecendo nesse exato momento em diversos países. Assim a busca por materiais impressos, considerados atrasados, caiu drasticamente.

O fim de uma era: A extinção das Bancas de Jornal

Só aqui no Brasil, segundo os dados da Federação Nacional dos vendedores de Jornais e Revistas do ano de 2016, sobreviveram apenas 17 mil bancas. Número que em 2003 era formado por 33 mil estabelecimentos.

Na Revistaria Café com letras, localizado na Vila Garcia em Votorantim, o carro chefe do estabelecimento não são mais seus jornais diários ou suas revistas de fofocas, mas sim o café, transformando o local em um ponto de encontro e a compra de revistas se tornou apenas um detalhe, complemento num momento relaxante, relata Sandra Sanches.

Radialista, Sandra e seu marido optaram por uma revistaria pelo amor a literatura, por acreditar que seu objetivo é propagar diversos tipos de informações e também para ficar o mais próximo possível do que amam. Não esperavam que o desinteresse pela leitura impressa se tornasse tão avassalador. Com a dissipação instantânea da web, a chegada dos sites, blogs, portais e as revistas online, grande parte da população, principalmente as gerações mais novas, aderiram essas versões, que podem ser compactadas em um simples Smartphone. Isso da possibilidade de migrar de uma revista como a Veja para outra de receitas culinárias caseiras com apenas uma passada de dedo.

Eu estaria mentindo se não acreditasse na extinção desse comércio, com a digitalização as pessoas perderam o costume de adquirir suas informações de forma física, e o impacto disso foi muito grande” comenta Alecsander Alves, 21, estudante de Arquitetura e colecionador de Historias em Quadrinhos. “No meu caso, ainda insisto em frequentar a banca e as pequenas lojas especializadas no conteúdo pop, para manter esse tipo de comércio vivo. Pois caminhar até a banca e voltar com o produto em mãos sempre vai ser mais prazeroso do que simplesmente encomendar”.

Outro fator que também contribui para a extinção é causado pelas grandes lojas na internet, que oferecem os mesmos produtos, muitas vezes com ótimos descontos e mesmo somando com o frete, sai mais em conta, pelo fato dos exemplares possuírem preços tabelados nas bancas.

Para o professor e jornalista Rodrigo Toffoli, a causa da possível extinção das bancas e revistarias não fica apenas no quesito comportamental. “Não é só uma questão de comportamento, pois antes de mais nada a queda na venda do impresso, tem a ver com um custo de operação e também está associada com o crescimento rápido da internet no país,  fazendo com que as pessoas deixem de procurar o impresso para procurar fontes alternativas”.

O fim de uma era: A extinção das Bancas de Jornal

E mesmo com os preços das revistas e jornais tabelados, isso já não consegue mais atrair o consumidor, além de contar com apenas o interesse esporádico à leitura. Para evitar ainda mais a redução no número de vendas, assim como Sandra, as bancas sobreviventes agregam outros produtos como acessórios eletrônicos, recarga telefônicas e geralmente se tornam um café ou lanchonete, tendo como público alvo, pessoas acima de 40 anos.

“Sobrou os colecionadores e ás pessoas acima de 40 anos, que ainda não estão tão ativas na internet e que ainda pegam o jornal impresso, as revistas de culinária e palavras cruzadas, trabalhamos praticamente para esse público e infelizmente vai acabar, assim como os orelhões e as vídeo-locadoras, hoje você vê uma ou outra, mas que função elas têm? E agora as revistas, quem quiser ler uma Veja ou uma Caras, estão disponíveis na web, já são todas online. Infelizmente pra quem gosta de sentir o livro físico, vai acabar” afirma a radialista.

Sandra ao dar ênfase em se adaptar, antes do fim da entrevista anunciou que encerraria, após 11 anos as atividades da Revistaria com Café. Até dezembro desse ano estará migrando para o Youtube junto com seu marido, para um canal de contos, sendo assim, não abandonará aquilo que os fizeram ter uma banca: o amor pela literatura.

Com toda essa dificuldade em manter o comércio, se adaptar se torna apenas um meio de atrasar o inevitável.  As bancas em um futuro não tão distante farão parte de um grupo, que hoje, deixa saudades, composto pelas vídeo-locadoras, orelhões e salas de jogos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.