Neste livro de nosso querido Ray Bradbury, autor do clássico: Fahrenheit 451, apresenta sua coletânea de contos que foi chamada por aqui simplesmente de A Cidade Inteira Dorme e outros breves contos, e que contos…


Editora:  Biblioteca Azul
A cidade inteira dorme e outros contos breves por Ray BradburyPáginas: 152

Sinopse:

Ray Bradbury não gosta de ser referido como autor de ficção científica. E por um bom motivo: ele não é um autor de ficção científica. Ao menos segundo o senso comum sobre o gênero, baseado em fantasias futuristas nas quais a descrição dos artefatos, da tecnologia, é fundamental. Ao contrário, em Bradbury o fundamental é a condição humana de seus personagens. Neste sentido, ele é uma espécie de Georges Simenon, vulgarmente tido por autor policial quando é, de fato, um romancista psicológico. Enquanto Bradbury é, afinal, um autor político. Não por acaso, seu livro mais justamente famoso, Farenheit 451 (filmado por Truffaut), forma, ao lado de 1984 de Orwell e de Admirável mundo novo de Huxley, a grande trilogia sobre a distopia (ou anti-utopia) moderna. Bradbury é, ainda, um mestre da história curta. Por fim, é um grande escritor, que usualmente funde a descrição mais detalhista às metáforas mais surpreendentes.


Uma pequena viagem (1951)

Uma senhora quer chegar mais perto de Deus, e impaciente com o andamento da própria vida, é persuadida a ir para Marte, onde pegará outro foguete e ir para perto de nosso Criador. Porém, os processos da empresa contratada parecem muito estranhos, e algo paira no ar. Algo que cheira a enganação. Um conto que contém bela singeleza e um humor sádico característico de Bradbury, te fará ir às alturas em seu final.

O lixeiro (1953)

Um certo dilema atinge a mente do lixeiro que também é pai de família. Uma guerra mortal acontecerá e o papel do lixeiro será o de coletar corpos. A simples ideia deixa o profissional abalado e, com muito custo, tenta debater com a esposa, que acredita ser o correto a se fazer. Um conto que em tempos de Guerra Fria, deve ter deixado inúmeras mentes pensativas ao final da narrativa.

O visitante (1948)

Em Marte, alguns terrestres têm sido jogados por diversos motivos. O grupo de seres humanos está vivendo pacificamente à base de sono e monotonia. Até que, um certo visitante chega. Ele tem poder telepático, o qual todos cobiçam, e aquele viver pacífico está prestes a se transformar drasticamente. Uma sacada brilhante de Bradbury para nos cutucar quanto a nossa cobiça, ganância e desejo.

O messias (1971)

Brincando também com o sentimento de desejo, o autor norte-americano agora nos traz mais uma história baseada em Marte. Um marciano está rodeando a região onde alguns terrestres religiosos estão morando. O que o misterioso ser consegue fazer, irá atiçar a fé e os sentidos dos religiosos que desejam ver sua fé cumprida. Um breve conto que não contém muita ação, mas que apresenta mais da genialidade Bradbury.

A autêntica múmia egípcia feita em casa (1981)

Um conto aventuresco e dinâmico, nos é revelado em tom juvenil uma aventura de um general e um adolescente que querem agitar um pouco sua cidade, que está ociosa e exala tédio, com a brilhante ideia de trazer “à vida” uma autêntica múmia feita em casa. Por que não? Um conto que não tem a mesma profundidade dos outros, porém, que também diverte com uma narrativa objetiva.

A cidade inteira dorme (1950)

O conto que leva o nome do compilado, nos traz a história de uma cidade que está sendo assolada por um serial killer, que não deixa pistas sobre como pensa ou age. Muito menos a sua identidade. Mesmo assim, duas amigas resolvem ir ao cinema passando por áreas escuras e ruas vazias, tentando distrair a mente das tragédias e… Inevitavelmente… Atraindo o perigo. Um thriller que consegue te prender do começo ao fim, impressionantemente, e que traz um final que te deixará de cabelos em pé de tanta ansiedade. Desculpem, mas não tem continuação esta história…

O homem ilustrado (1950)

Um rapaz obeso com problemas conjugais resolve se tatuar para continuar relevante no mercado de trabalho. Ele se tatua em um lugar místico e, recebe a instrução de não revelar duas únicas tatuagens, em um corpo tomado de várias outras, pois elas dizem sobre o futuro. Mais um conto que te conduz pelo ritmo e breve suspense. Te faz prender o fôlego em alguns momentos e também causa riso.

O homem em chamas (1976)

Ray Bradbury traz uma história aparentemente descontraída neste momento. Um casal de viajantes está passando por uma estrada aparentemente vazia para curtirem a tarde de sol em um ambiente mais propício. No meio do caminho, um rapaz pede carona e, falante do jeito que é, acaba trazendo algo que o casal nunca imaginou encontrar. Boa trama, trazendo um excelente plot twist, apesar que para alguns, pode ser previsível.

As frutas no fundo da fruteira (1948)

Um homem mata outro em um acesso de desequilíbrio. O que ele pensa em fazer logo depois é lógico: apagar os vestígios de que esteve lá. Ele limpa o chão, onde ocorreu a luta, as paredes, os copos… O desequilíbrio toma conta outra vez e algo que parecia impossível de acontecer, acontece. Mais uma ideia brilhante do autor que é executada com maestria.

O dragão (1955)

Dois cavaleiros precisam enfrentar algo que eles não compreendem totalmente. O dragão, feroz, brutal, pode fazer mais vítimas em seu caminho. Com metáfora objetiva e humor que lhe faz jus, o escritor nos apresenta o debate sobre a velha tecnologia versus a nova tecnologia. O progresso pode ser mesmo tão atropelador?

O pedestre (1951)

Um simples passeio pela cidade futurística de 2053 parece não ser tão tranquilo como antes. Com bela fluidez e dinâmica que lhe faz bem, vemos mais uma metáfora que carrega críticas sociais. Coube naqueles dias e cabe em nossos dias também.

O alçapão (1985)

Uma senhora tranquila tenta viver sem maiores sustos, sozinha em uma bela casa. Entretanto, sons estranhos estão vindo da porta do alçapão. Sons que nos primeiros dias são leves e constantes, depois, passam a ser fortes e constantes. Até o momento em que a casa parece que irá cair. O medo e a prudência a levam a tomar uma atitude. Um conto muito bem desenvolvido, mas que poderia ter um final melhor explicado.

A hora zero (1947)

Chegou o momento. Uma invasão irá acontecer na hora zero se utilizando de ferramentas e pessoas inesperadas. O embate será mortal. Ou seria apenas uma brincadeira de criança? O encerramento de Ray Bradbury para este compilado é genial, com um instigante começo, bom desenvolvimento e ótimo final, com últimas linhas que deixariam qualquer um instigado por mais.


O fantástico escritor Ray Bradbury nos traz belas histórias de ficção científica com toques que lhe são característicos. Ele apresenta histórias que contém boas ideias, ganchos narrativos instigantes, humor sádico, excelentes personagens, e os seus finais… Estão excelentes aqui. Um livro que merece estar na estante de qualquer fã de ficção científica e de boas histórias.

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