Será que uma simples criada, bonita e comportada, seria capaz de cometer um assassinato hediondo e fugir com um iludido e violento cúmplice? Ou seria apenas, uma mera vítima, em meio às atrocidades da vida? Estas dúvidas permeiam a excelente obra histórica da canadense Margaret Atwood.


Editora: Rocco Resenha de Vulgo Grace, de Margaret Atwood
Páginas: 512
Ano de publicação original: 1996

Sinopse:

Depois de O conto da aia, que deu origem à prestigiada série The handmaid’s tale e alcançou o status de bestseller mais de 30 anos após a publicação original, outro romance de Margaret Atwood vai ganhar as telas, desta vez pela Netflix, e volta às prateleiras com nova capa pela Rocco. Inspirado num caso real, Vulgo Grace conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século XIX. Com uma narrativa repleta de sutilezas que revelam um pouco da personalidade e do passado da personagem, estimulando o leitor a formar sua própria opinião sobre ela, Atwood guarda as respostas definitivas para o fim. Afinal, o que teria levado Grace Marks a cometer o crime? Ou será que ela estaria sendo vitima de uma injustiça?


Grace Marks veio da Europa ainda criança e teve que criar seus irmãos mais novos junto com seu pai alcoólatra e preguiçoso, pois sua mãe morreu tragicamente no caminho para a América. Vai ao Canadá, buscando possibilidades de trabalho, se separa de sua família, indo trabalhar como criada em diversas casas pela região, sempre bem recomendada.

A competente criada vai para a casa de Thomas Kinnear, gentil patrão, que deixa a cargo da governanta Nancy Montgomery. Onde também trabalha o sempre emburrado James McDermott, lenhador da casa, que possui segundas intenções com a pobre Grace. E o doce Jamie Walsh, que aparece sempre que pode para tentar alegrar as tardes das moças. Mas a estranha tarde em que os patrões são mortos causa muita intriga na sociedade. McDermott vai à forca, Grace ao manicômio. Uma esfera da população a acusa de todos os crimes enquanto outra, luta pela sua liberdade. Logo, ela vai para a prisão comum, e acaba trabalhando para o “governador” da cidade.

O médico Simon Jordan quer abrir o seu próprio manicômio, então começa a pesquisar diversos lugares e pessoas, até encontrar a oportunidade de estudar a mente de Grace Marks. Lidando com seus próprios problemas, as dúvidas e os diálogos com a prisioneira, deixam o doutor reflexivo, o fazendo mudar de posição diversas vezes. Trazendo as suas críticas sociais sobre a época, Margaret Atwood nos traz uma excelente obra.

Pois, caso você não saiba, todo este caso realmente aconteceu na vida real, lá pelos anos de 1840, com todos os seus detalhes sendo fielmente trazidos neste livro de 1996. Como a história contém algumas brechas, e alguma fontes não tão confiáveis, a autora usa de liberdade para dramatizar certas situações, amarrando-as ao seu modo livre e espontâneo, enriquecendo o desenvolvimento dos personagens. Com um drama bem trabalhado, relações conturbadas, dúvidas instigantes, toques de suspense e belas descrições, temos aqui mais um bom clássico de Atwood, que já tem adaptação em série na Netflix.

nota cafe expresso

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