“Entre um autor e sua modelo pode existir uma convivência amorosa, ou sexual, mas há sempre algo mais. […] É uma situação privilegiada, onde os sentidos estão muito aguçados, […] a gente nunca sabe onde está se metendo… não sabe o que fazer.”

Frédéric Boilet
 

Fréderic Boilet é um mangaká nascido na França e naturalizado japonês. Durante sua longa vida roteirizou e desenhou os mais diversos mangas com temáticas eróticas, lançando o movimento “La Nouvelle Manga”, fazendo referência direta ao Nouvelle Vague existente no cinema.

A proposta do Nouvelle Manga é trazer contos eróticos que misturam o cotidiano com um estilo de arte franco-belga. Fazendo, desta maneira, um público ainda maior se aproximar dos quadrinhos.
Garotas de Tóquio é uma de suas obras mais famosas e, sem dúvida nenhuma, um dos seus melhores trabalhos. Aqui ele retrata, em sete breves histórias, a vida amorosa ou não do personagem que pelo que podemos perceber é o próprio Boilet. Não fica claro se em algum momento houve alguma relação sexual na vida real entre o artista e suas musas, o que fica claro apenas é que Boilet, para desenvolver este trabalho, publicou um anúncio na revista japonesa Manga Erotics procurando modelos. Aquelas que responderam obtiveram como proposta serem filmadas e fazerem o que desejarem.
Apesar de não termos certeza se houve algum ato consumado ou não, fica evidente a naturalidade poética ao qual o autor retrata estes encontros. Cada conto tem sua peculiaridade dita pela garota cujo autor nos mostra. Sendo assim, ele explora tal peculiaridade em seu traço, deixando o contexto guiar o viés artístico.

O leitor é posto na condição de Voyeur, ou seja, um espectador de algo íntimo. Garotas de Tóquio é uma HQ erótica, para não se dizer até pornográfica, o que a afasta desse rotulo é seu contexto poético e sua proposta narrativa e sua arte característica do autor. Aqui o que falta em diálogo é compensado pelo trabalho artístico de Boilet.

As modelos não aderem ao padrão social de beleza, são mulheres normais, possuem imperfeições, sutilezas e problemas em suas vidas pessoais que algumas vezes são retratados nos diálogos. Dito isso, é interessante perceber como cada uma das modelos tem algo a acrescentar, sendo um medo em particular ou algo relacionado à exposição em relação ao trabalho de Boilet. Isso proporciona o leitor um intimismo que é despido com certa fluidez por Boilet que no cotidiano não passaria de uma conversa natural.
Garotas de Tóquio foi lançado no Brasil pela editora Conrad e pode ser facilmente encontrado em qualquer site.
bio MIKE Dilelio

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