Tutorial da Vida | Saudade

Caro leitor,

Aqui me encontro, nesta madrugada fria, escrevendo da varanda de um quarto escuro ao som de “Esquece e Vem”, interpretada por Nico Rezende. Chega a ser engraçado como a letra dessa música, cada nota e palavra esboçada, narra perfeitamente a atual circunstância da minha vida.

Solidão. Silêncio. Escuto somente as batidas (lentas) de um coração partido, embalado pela doce melodia que foge de um piano desolado, acompanhado por um leve solo de guitarra que chora, ao fundo, algumas notas tristes. A entrada estratégica do saxofone traz o ápice da melancolia, fazendo lembrar de um sentimento chamado “saudade”.

Enquanto a música toca, um enorme ponto de interrogação paira sobre a minha cabeça. Dúvidas? Sim, muitas… Um filme mudo, em preto e branco, passa diante dos meus olhos. Percebo, então, que se trata de um filme de amor, porém, sem aquele clichê de “final feliz”.

Logo, um turbilhão de sentimentos toma conta de mim. Palavras se formam num céu frio e cinzento. Tristeza, saudade, solidão… As lágrimas surgem, marejando um olhar frio e distante. Perguntas sem respostas me vêm à tona.

Confusão, silêncio e saudade conversam entre si. Lembranças de um amor carregado de promessas e planos, entre beijos e abraços escritos que se perderam como folhas de outono, permanecerão trancados em um baú perdido no tempo. O que sobrou? Apenas um vazio dentro do peito.

Um sabiá pousa em minha varanda. Ele está calado, parece um pouco perdido… Me encara por uma fração de segundos e, então, levanta voo. Segue sua jornada em paz, enquanto eu fico a observá-lo.

Naquele instante, percebo que eu sou como aquele sabiá: canto, em silêncio, a melancolia de um amor distante. O que me resta agora é seguir um rumo na tentativa de me encontrar, assim como fez o sabiá.

[Notas de um escritor solitário]

bio narel

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